quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Monsanto e USP




Seguindo na onda verde economica do brogue, segue matéria da Brasil de Fato sobre um acordo da digníssima e honesta Monsanto e a USP. Trata-se de um projeto de iniciacao científica para o ensino médio. Eu nao sei muito o que achar disso.

A Monsanto é uma das donas do país e tem um segundo emprego como uma das sete bestas do apocalipse (junto com o Bush, a Coca, o McDonalds, a Nike, o anonimo do petróleo e o Flamengo).

Nao sabemos até que ponto é interferencia na autonomia e na educacao crítica universitária e até que ponto é um incentivo academico. Mas eu nao aceito doces de estranhos psicopátas. Nessa onda, sugiro também o filme Michael Clayton, com o gala político George Clooney, que fala sobre as sujeiras de uma transgaláctica agrícola. Trecho aí acima.

Monsanto firmou um convênio com a Universidade de São Paulo (USP), no
início deste ano, cuja versão original do contrato, revisto após pressão de
professores e estudantes, submetia a USP a sigilo absoluto e a subordinava a uma
lei dos EUA. Uma cláusula que permaneceu no documento, a oitava, estabelece que
a Universidade e sua Fundação, a Fusp, são obrigadas a manter sigilo em relação
à toda informação relacionada às atividades da Monsanto.

Para Ermínia Maricato, representante docente da Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo no Conselho de Pesquisa da USP, o convênio com a transnacional pode
prejudicar a imagem da instituição de ensino. “Não concordo que a USP assine
convênio com essa empresa, contra a qual existem fatos graves”, finaliza.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Dois dias de solidão

Macondo é a cidade onde se desenrola a trama do livro Cem Anos de Solidão, de Garcia Marquez. Logo nas primeiras linhas da obra, vemos um Coronel Buendía diante de um pelotão de fuzilamento e lembrando de sua infância, quando seu pai o levou para conhecer o gelo. Mais a frente descobrimos que se trata de uma feira repleta de ciganos, mágicos, e gente das arábias que traziam sempre as inovações e invenções , reais ou fantásticas, do mundo moderno. Essa feira foi criando raízes e sendo fundamental no desenvolver imaginário da família Buendía e seus 100 anos de história.

Mas o que tem isso a ver com o que eu vou dizer?

Incomodou, nessa última visita do Lula à Argentina, o séquito de empresários que vieram junto com ele e que deram declarações perigosas e de contextos vários , já conhecidos, e que desembocam em uma só coisa: desigualdade e perigo à democracia. Segundo o Clarin, por exemplo, um diretor da indústria paulista afirmou que o melhor para a argentina é não deixar o Estado interferir na economia. O presidente da Fiat disse que os países que seguem as regras da economia internacional, sempre melhoram. O Lula mesmo bateu na tecla dessa integração econômica, que a invasão de empresas brasileiras não é nociva para a Argentina e que o dinheiro tem que circular entre os países.

A invasão da feira mágica-moderna em Macondo teve um cunho econômico inegável. Os ciganos vendiam porções mágicas, os das arábias vendiam vitrolas e todos ganhavam dinheiro. No entanto, ao vermos o desenrolar da história, é inegável que o que cria laços e afeta o imaginário e as atitudes dos moradores da cidade com essa feira é o caráter simbólico dos inventos, a característica irreal do que é mostrado, os costumes do estranho, o onírico, a descoberta. Tanto, que ela deixa de ser mambembe e se estabelece no cotidiano local.

O problema, ao meu ver, de um intercâmbio e acordos carregados de um tom comercial, e apenas comercial, é que o dinheiro caminha na direção das limitações do homem: anda por interesse, por sobrevivência, quase nunca por humanidade. Entra e sai com suas cifras , quase nunca com o símbolo. E é esse o cunho da conversa que estamos vendo há muito tempo entre os dois países. O argentino está vendo o brasileiro como matéria, não como descoberta e fantasia. O brasileiro está vendo o argentino como oportunidade financeira e não como povo. Simplificando: a troca que também deve ser feita, junto com a comercial e que estabelece vínculos além do dinheiro, além dos lucros e realmente criará o símbolo de uma região unificada (e não como dois vizinhos que formulam um discurso mas que, na primeira tempestade, cada um vai para sua barraca), é a cultural e a artística. A cultura e a arte são exatamente essas mágicas, esse mundo fantástico que fez das invenções ciganas e das arábias parte do cotidiano de Macondo, que despertou o imaginário do impossível e do improvável nas mentes dos Buendía e os fez entrarem num turbilhão de transformações e movimentos que mudaram a vida de todos. Além da língua, falta aos dois países o real reconhecimento de irmandade. E esse nunca se dá em uma relação de benefícios e trocas puramente materiais.

Além do lado macondiano da relação, é histórica, pelo menos na Argentina, a relação escusa de empresariado e democracia. Foi por causa dos interesses empresariais e petroleiros estrangeiros (e de algumas famílias locais) que se formou a tradição de ditaduras, iniciada em 1930 e finalizada mais de 50 anos depois. Esse séquito de empresários acompanhando o Lula, me lembrou a formação da “primeira ditadura” argentina, a de 1930, com o general Uriburu (dono de terras e acionista de empresas), que entre seus ministros ( na maioria civis e “liberais”), 80% eram diretores de alguma empresa de petróleo, advogados de empresas de petróleo, donos de fábricas, acionistas de grandes empresas ou tudo isso, junto. Me incomoda o fato de, historicamente, sabermos que o capital e o liberalismo caminham para o interesse de pouquíssimos, perseguindo desejos individuais, raramente do povo e da maioria. E o discurso é sempre esse, que o financeirismo tem a inteligência suficiente para não ter dedo do Estado. Acontece que o Estado representa os que, na hora do aperto, são as principais vítimas do abandono e repugnância “liberal”.

Algum esforco está sendo feito, vide a presenca brasileira nas semas artísticas ou nos grandes eventos artísticos. Ainda sim a entrada é mais espetacular que real, que de base, de conversa e de trocas cotidianas.


Da próxima vez que o Lula vier, que traga professores, médicos, artistas, cientistas, que têm muito o que conversar e aprenderem uns com os outros. Que traga mais mágicos e uma certa dose de sonho e imaginação , que é o que falta ao dinheiro. Que é o que dá algum tom de humanidade a homens e mulheres com caminhos tao diferentes. Que traga Macondo, a cidade comum e ainda subterranea que existre entre Brasil e Argentina.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Che, mesmo no túmulo.



É muito curioso. O filme de Che, dirigido por Soderbergh e com Benicio Del Toro (que ganhou Cannes com o papel), que tem 4 horas de duração e dizem ser incrível, está quase abrindo um rombo no bolso de quem investiu porque não tem distribuição.

Acontece que é previsível que não seja distribuído nos EUA, mas por que não consegue ser exibido na América Latina e , principalmente, em seu país de origem? Que forças estão regendo essa história?

A “película” tem 4 horas (vai ser divido em dois), é falado em espanhol (comparando com discursos televisionados do guerrilheiro, que volta e meia passam aqui no Canal Encuentro, o Toro ta falando igualzinho ao Che), fala sobre um homem que transformou os EUA no maior demônio de todos e que teve uma vida complexa demais para ser fielmente retratada em imagens. Tudo bem, mas é documento histórico, é esforço intelectual e de debate, é um dever cívico e humano, além do comercial e ideológico, arranjarem distribuição para esse filme.

(Sim, estou falando com Pollyanas de barba, barrigas grandes e que pagam putas sistematicamente).

Será que esse boicote silencioso terá êxito. Por que não se faz o caminho inverso ao filme do Andy Garcia (anti-castro), Cidade Perdida (igualmente anti-castro), que foi exibido nos EUA, mas boicotada na América do Sul em 2005?

Parece que o Le Monde cita uma fonte da indústria americana que diz que exibir o Che seria como exibir uma obra sobre Hitler ignorando o Holocausto e se concentrando na retomada econômica alemã.

Com a diferença que as empresas americanas não patrocinaram o governo cubano (embora a Cia tenha patrocinado a Fidel Castro no início da queda de Batista) e que, embora não concorde, os fuzilamentos do Che não tiveram natureza étnica ou religiosa.

(sim, estou tentando pensar sobre o que nem deveria se comparar).

Vai um pedaço do trailer aí acima.


Preferem o barbudo...

Não é novidade, mas me impressiona essa imagem positiva do Governo Lula aqui em Buenos Aires. Se o Ibope fizesse uma pesquisa, daria mais ou menos uns 92% de aprovação. Mais, se o PT quisesse se esconder de suas manchas e erros, está na hora de lançar candidatos aqui, principalmente o nosso querido presidente.

Hoje eu fui comprar uma água no kiosco perto do trabalho e o senhor que atendeu, que sempre que me vê canta um sambinha, falou:

- Seu grande chefe está aqui, né?
- Ah, o Lula. Sim.
- O que você está fazendo aqui? O seu país que é uma maravilha, um grande país, cheio de oportunidades...

Tentei dizer que não era bem assim. E de repente percebi que o Brasil é tão complexo, que qualquer afirmação é vã. Numa pseudo análise mal ajambrada, deve-se , em grande parte, essa popularidade, ao “crescimento magnífico” da economia nacional. Como as notícias que chegam aqui são completamente fora do contexto, ou melhor, apenas dentro do contexto numérico, o Brasil é um dos países mais importantes do mundo. Aqui não se chegam notícias sobre CPIs e patacas do congresso com relação ao nosso meio ambiente. Mas é capa de jornal quando descobrimos petróleo.

Além disso, e isso é coisa que pouca gente sabe aí no Brasil (pelo menos meus amigos mais chegados, gente da classe média genial e estática) é que realmente as empresas tupiniquins estão investindo em tudo aqui. Uma consultoria privada disse que, ano passado, mais de 20% do total dos investimentos no país foram brasileiros. Além disso, os turistas brazucas invadem Buenos Aires, dando a idéia de que câmbio forte significa robustez a longo prazo.

Durante a questão do campo, batiam muito na tecla do investimento do governo Lula na agricultura e no incentivo aos agricultores (nada se falou sobre a exploração de monocultura e mao de obras das corporações estrangeiras). Ou seja, é tudo uma questão de dados, nunca de análise.

Uma coisa interessante é que hoje as capas do Clarin e do La Nacion eram sobre a visita do Lula. No Globo, nem bola.

Como diria minha avó: Calamar a distância é baleia no brejo.

sábado, 2 de agosto de 2008

Não existe pesticida para a cobiça.


Aqui vão dois textos bem sem voz na grande imprensa. Embora falem de assuntos diferentes, intuitivamente sei que formam figuras idênticas nesse mosaico da política brasileira atual: o meio ambiente, a ecologia e a influência maligna (sim, como um tumor) do capital privado estrangeiro. Dois assuntos de extrema importância que estamos deixando passar sem entendimento, nem a busca por entendimento.

Artigo Stédile completo

"Hoje, quase todos os ramos de produção agrícola estão controlados por grupos de empresas oligopolizadas, que se coordenam entre si. Assim, no controle da produção e comércio de grãos, como a soja, milho, trigo, arroz, girassol, estão apenas a Cargill, Monsanto, ADM, Dreyfuss, e Bungue, que controlam 80¨% de toda produção mundial. Nas sementes transgênicas, estão a Monsanto, a Norvartis, a Bayer e a Syngenta. Com controle de toda produção. Nos lacticínios e derivados encontramos a Nestlé, Parmalat e Danone. Nos fertilizantes, aqui no Brasil, apenas três empresas transnacionais controlam toda produção das matérias primas: Bungue, Mosaico e Yara. Na produção do glifosato, matéria prima dos venenos agrícolas, apenas duas empresas: Monsanto e Nortox. Nas máquinas agrícolas também o oligopólio é divido entre a AGco, Fiat, New Holland, etc.

Esse movimento que se desenvolveu a partir da década de 90, se acelerou nos últimos dois anos, com a crise do capitalismo nos Estados Unidos. As taxas de juros nos países centrais caíram ao nível de 2% ao ano, e, comparado com a taxa de inflação levou a que os bancos percam dinheiro. Então, o capital financeiro para a periferia dos sistema para se proteger da crise e manter suas taxas de lucro. Nos últimos dois anos, chegaram ao Brasil cerca de 330 bilhões de dólares na forma de dinheiro. Parte desse recurso foi aplicado através dos bancos locais, para incentivar as vendas a prazo, de Imóveis,eletrodomésticos, e automóveis, a taxas médias de 47% ao ano. Uma loucura, comparado com as taxas dos países desenvolvidos."


Entrevista Telma Monteiro

Para a pesquisadora autônoma na área de energia Telma Monteiro, os projetos de construção de hidrelétricas no Rio Madeira e em Belo Monte somam uma série de problemas não considerados pelo governo federal brasileiro. Em relação à matriz energética do país, ela diz que o Brasil está sendo ultrapassado, pois não vem aproveitando seus recursos para ser menos atingido pelas conseqüências do aquecimento global. “Nós estamos indo completamente na contramão da história. Ficamos em 42° no ranking de países que sofrerão os impactos das mudanças climáticas, entre 168 países. Não estamos prevenindo nada. Continuamos a desmatar a floresta Amazônica e a destruir nossos ecossistemas importantes e cruciais com usinas do porte dessas do Rio Madeira e Belo Monte”

É interesse político e das grandes empreiteiras, que precisam de grandes obras. Assim, temos dois projetos de hidrelétricas no Rio Madeira superdimensionadas nos estudos feitos pela Furnas e pela Odebrecht. A meu ver, essas empreiteiras estão gritando agora contra essa atitude da Suez justamente por causa disso. A Odebrecht tinha uma idéia de economia de escala ao fazer duas hidrelétricas. Então, existe um grande interesse financeiro de grandes empreiteiras ao projetar nessas obras grandes lucros. No entanto, o governo federal não está considerando isso.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A Visita da Banda



Assim como é irresponsável e pretensioso julgar um filme exatamente após assisti-lo,
é duvidoso posicioná-lo nesse ranking mental que fazemos das melhores obras que já vimos em nossa vida. Por isso talvez esteja escrevendo ainda com o calor da proximidade e do impacto.

Fato é que , no meu imaginar, “A Visita da Banda” (ou A Banda. co-produção EUA-França –Israel), do diretor israelense Eran Koliri, é um dos filmes mais profundos que vi nos últimos tempos.

Trata-se de uma suposta comédia leve e singela e que fala sobre uma banda de cerimônia egípcia que se perde em um pequeno bairro Israel e se relaciona com seus moradores de formas inusitadas. Por um lado mais intelectual, poderia-se dizer que mostra algo da incomunicabilidade (barreira da língua, cultura e, neste caso, ódio histórico) dos homens e o elogio da comunicabilidade já que, mesmo com essas barreiras, eles se entendem. Pode-se defini-lo de diversas formas, assim como quase tudo na vida.

Mas o que mais me espantou na obra é que ela, antes de tudo, é silêncio. E não é pelo ritmo como as coisas passam. É mais pela simplicidade de mostrar o que tem que mostrar, como lidamos com nossos sentimentos em nossas rotinas, como calamos, de que forma expressamos e o que tentamos resolver e o que escondemos. Sem nenhum artíficio dramático e cenográfico além de pessoas e o diálogo eloqüente e inteligente dos olhos, o filme, cru e ordinário, mostrou um pequeno pedaço desse grande tecido do qual somos feitos.



Os personagens somos nós, em algum momento, em alguma parte que não vemos. O músico que nunca terminou seu concerto e , com as mãos inertes, suprime seu desejo de reger a banda, o general supostamente autoritário e líder da banda que , mesmo responsável por sua dor (há que ver), aprende a lidar lentamente com suas próprias verdades, um rapaz que vê a vida passar como se nada e aceita o cotidiano e o amor como se não tivesse o que fazer, o galã egípcio que, de filho rebelde, passa a ter uma relação de pai com um adolescente israelense, o homem que espera eternamente a ligação da namorada toda as noites num orelhão público, a mulher solitária e generosa que junta os próprios cacos em pedaços de outros homens e a beleza de cada um dos personagens, que o diretor às vezes revela e às vezes cala, como se soubéssemos que algumas histórias e visões de vida vão para o túmulo com a alma de uma pessoa.

Além disso, o filme tem um jogo cênico baseado no corpo, na imobilidade do corpo, que se descolore junto com o monocolorido deserto israelense. Cenas históricas e geniais como o gala egípcio ensinando ao jovem o que fazer com uma garota triste. Cenas oníricas e curtas (como se de propósito) do general explicando o que sente ao reger (sem uma palavra). Há um pouco de cada elemento que vivemos em dois dias aparentemente inusitados, cheios de tristeza, mas com a inevitável renovação de esperança diária, esse sentimento tão falado e pouco entendido (exatamente porque não pertence à compreensão racional).

E para os que procuram um motivo hollywoodiano ao ver um filme, achará na, sem exagero, a mulher mais linda do cinema mundial atualmente, a quarentona Ronit Elkabetz.

Entre tantas definições do que é bom cinema e o que não é, o que deve ser visto e o que nao deve, prefiro ficar com o silencio e a sabedoria de uma obra gigante e simples como "A Visita da Banda".

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Feira Orgânica da Glória - Um passo para um mundo melhor


Sim, é difícil nao se sentir cada dia pior diante do que nós mesmos fazemos ao mundo. Principalmente no que diz respeito ao meio ambiente. Mas algumas coisas estao bem perto, ao lado da nossa vontade.

Outro dia estava vendo um documentário da BBC, Truth About Global Warming. Nele, além de dados alarmantes e preocupantes sobre o nosso futuro próximo, vi uma simulacao muito interessante, que aproxima os problemas ambientais dos nossos atos. Inventaram uma tal de família Carbono , composta por pai, mae, uma casal de filhos e um cachorro. Eles sao da classe média inglesa, legais, amáveis, ajudam nas festas da comunidade, tehm bom coracao e acreditam em Deus. Mas sao parte atuante e fundamental de uma dura verdade: metade do dióxido de carbono lancado na atmosfera, vem de atividades domésticas (ao terem dois carros, ao consumirem muita carne, ao gastarem água, ao gastarem luz, ao gastarem no aquecedor etc). O doc fala também de alguns passos para reduzirmos nossa carga nesse assassinato.

Boa parte desses passos é simples e imediatamente viável, mas existe uma um pouco complicada diante da mentalidade de nossos irmaos e dos fatos concretos que temos em vista.: consumo de produtos agrícolas de agricultores locais.

Há idéia é que os alimentos locais nao precisam de transportes longos, nao gastam combustível e sao ecologicamente menos agressivos (já que o pequeno produtor nao pode fazer mal à própria terra).

Fiquei pensando nisso e como poderia fazer aqui de Buenos Aires. Nao encontrei uma alternativa aos grandes supermercados e aos mercados chineses. Mas me lembrei de algo que me mortificou pela inércia porque quando tive a oportunidade, simplesmente nao fiz nada.

No Rio de Janeiro, há uma ótima feira de produtos organicos, todos cultivados por produtores da cidade. É a única na cidade e acontece todo sábado de manha na Glória. E isso é o legal: além de ser local, feita por pessoas do interior do estado e cidades vizinhas, tem produtos de extrema qualidade, sem agrotóxicos, sem hormonios nem nada.

Mais interessante ainda é que a Associacao da Feira já tentou realizá-la em outros bairros mas, por algum motivo estranhamente secreto e absurdo, a Prefeitura colocu panos quentes e fez esquecer as solicitacoes. Se o consumo de produtos locais é um dos passos para um mundo ecologicamente melhor e viável, por que a prefeitura do Rio nao incentiva essa feira?

Bem, enquanto ninguém faz nada, nao faca como eu: pra quem é do Rio, vá a essa feira. Voce ajuda ao comércio local, ao meio ambiente e ao próprio corpo. Pra quem é de Buenos Aires, uma ajuda a achar algo parecido aqui.