quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Fanta Nazi-Laranja


A origem , no passado, de um produto pode definir etica e moralmente quem o produz no presente ? Pau que nasce torto se endireita? Consumir uma coisa que tenha nascido em um período excepcional e de forma desumana é contribuir para que essa "forma", mesmo terminada, ainda persista de algum modo? É defender alguma bandeira? Ou o consumo é apartidário e defende apenas o prazer pessoal, independente do mal social que causa ou causou o produto consumido?

Digo isto para falar de um refrigerante, geralmente lembrado por crianças: a Fanta Laranja. Docinha, borbulhante, com gosto de chiclete com suco e de coloração, obviamente, alaranjada, ela ilustra perfeitamente a natureza macabra das teorias da conspiração. Sua aparência ingênua esconde um passado mórbido.

Segunda Guerra Mundial. Eua entram na guerra. A Coca-Cola , americana, não poderia mais comercializar na Alemanha nazista. Não por querer, mas por ser contraditório demais declarar guerra a um país e manter as relações econômicas, embora uma corporação não tenha tantos vínculos atrelados a estados e nações , com o país que se guerrea (claro que esse caráter multinacional e flutuante não existia na época, até porque foi uma independência cravada gradualmente através dos anos).

Resumo da ópera, a Coca perdia um bom mercado. Lembrando que a Alemanha se recuperava de uma bela crise econômica-bélica, crescia a uma taxa média anual de 9,5%, a uma taxa de crescimento da indústria de 17,2%, crescimento demográfico , consumo público com um aumento de 18% com relação a década anterior, além de ter uma Áustria anexada no pescoço.

Solução? Pensar eticamente? Não. Criar um produto que não se associasse à Coca e ainda tivesse a ver com a cultura do mercado consumidor desejado, no caso, o alemão. A laranja dava nas montanhas, o nome vinha da palavra "fantasia", "imaginação", vendia-se como um produto alemão, mas com auxílio financeiro e logístico da coca americana. E assim ela se criou, se espraiou para centenas de países, tem o Brasil como maior consumidor, e pulverizou seu passado assassino.

Mais do que um produto, a Fanta ajudou a patrocinar as ações nazistas (e americanas, contraditoriamente), ou seja, matou gente. Consumi-la é uma ode a esse passado? Consumi-la é concordar com os ditames nazistas? Um produto, além de não ter raízes físicas e emocionais, não tem história? Comprá-la é dar dinheiro pra quem não se importa com o que há de humano no mundo, só interessando o lucro? Se não agora, em um futuro possível?

Sei lá.

Um comentário:

Gustavo disse...

Pô, fiquei alguns sem beber Coca e tal. Exatamente agora, estou tomando um hi-fi (esse nome é uma merda... parece que é uma bebida do caralho) com fanta. E o pior é que realmente acho que eu me vendi de vez. Saudades de vc, negão!